Do latim obstetrix, originária do verbo obstare, que significa “estar ao lado“.

Nos dias atuais, é considerada uma ciência que vai muito além da “arte de atender partos”, assiste a mulher antes mesmo da fecundação, momento no qual a avaliação e a orientação são importantes para atingir melhores resultados maternos e perinatais.

O que faz um médico obstetra

O obstetra é o responsável pela orientação pré-concepcional e acompanhamento da mulher no período da gestação, do parto e do puerpério, em todos seus aspectos fisiológicos e patológicos.

Orientação pré-concepcional

O aconselhamento pré-concepcional contempla um conjunto de medidas que visa permitir ao casal ou mais especificamente à mulher, determinar o momento ideal para que a gestação ocorra.

É recomendável que a mulher seja avaliada em todos os aspectos (psíquico, afetivo, social, profissional) antes de engravidar e em tempo oportuno para que possa dispor de melhores condições clínicas e receber orientações sobre hábitos de vida saudáveis. Isso inclui orientações sobre alimentação, tabagismo, uso de álcool e outras drogas, uso de medicamentos, esquema de vacinação e controle de peso.

Pré-natal 

A assistência pré-natal faz parte de uma medicina preventiva, que analisa a mulher em um período muito especial de sua vida. Consiste em uma série de medidas e cuidados que tem o objetivo de propiciar à mulher gestante um desenvolvimento saudável da gestação, a preparação para parto e puerpério. 

Periodicidade das consultas de pré-natal

A gestação é contabilizada em semanas e em geral, as consultas de um pré-natal de baixo risco devem ser:

  • Mensais até a 34a semana
  • Quinzenas da 34a a 36a semana
  • Semanais a partir de 37 semanas

E o tempo de nascer?

Esse é um assunto que merece destaque para que nós, enquanto sociedade, possamos refletir sobre o cenário obstétrico brasileiro que abarca 90% de cesáreas no sistema privado, muitas delas, agendadas a partir de 39 semanas de gestação. 

Em teoria o bebê não é nomeado prematuro a partir de 37 semanas mas na prática será que ele está realmente pronto para nascer se não deu nenhum sinal? Não estamos falando de gestações em que existem comorbidades, nas quais muitas vezes o risco de seguir com a gestação é maior que o benefício e se faz necessária a resolução, mas sim de gestações de baixo risco, em que a mulher e o seu bebê estão saudáveis. 

E o parto?

O parto é o portal que traz o ser humano para esse mundo e o torna integrante de uma sociedade. É um marco transformador para a mulher e para a família.

É um momento que deve ser conduzido com extrema delicadeza e olhar cuidadoso, tanto para a mãe que está sendo veículo quanto para o bebê, que está a caminho.

“O parto pode ser, sim, um evento de alegria, de fortalecimento, de prazer, de amadurecimento, desde que as mulheres sejam respeitadas, olhadas com carinho, reverenciadas pela capacidade espantosa de conceber, gestar e parir.”  DINIZ, CSG; DUARTE, AC. Parto Normal ou Cesárea?, 2004, p.65

Contextualizando o Parto e a Violência Obstétrica

Por milhares de anos o nascimento foi evento domiciliar e um ritual restrito às mulheres. A mulher paria sozinha ou com auxílio de outra mulher que já tinha experiência pessoal ou com o atendimento de outros partos. Com o passar do tempo o parto passou a ocorrer no hospital, na presença do médico. 

O avançar da ciência permitiu que houvesse diminuição da morbimortalidade materna e fetal, no entanto, o parto se tornou procedimento médico e tirou completamente a autonomia da mulher sobre seu corpo e sobre o ato de parir. 

Segundo dados da pesquisa Nascer no Brasil, um inquérito sobre parto e nascimento realizado pela Fiocruz, a lei do acompanhante (Lei 11108/2005) ainda não é respeitada em todos os lugares e  um grande número de mulheres é colocada em uma posição chamada litotômica no momento em que o bebê vai nascer.

Observaram também que muitas mulheres tem medo de serem mal tratadas por gritarem durante o trabalho de parto, então acreditam que precisam ficar caladas, abafando assim seu comportamento instintivo. Segundo esta pesquisa, muitas vezes é realizada uma manobra de pressão no fundo do útero para expulsar o bebê e há uso rotineiro de soro com ocitocina e episiotomia (corte cirúrgico no períneo).

Por outro lado observaram que maternidades que já seguem um modelo de atenção mais ampliado, focado no bem estar da mulher e da família e olha para o bebê como um ser sensível, tem maior índice de satisfação não só para as pessoas atendidas, mas também para os profissionais de saúde, que ocupam um novo lugar na cena do parto: alguém que está ao lado, realmente apoiando, protegendo e fomentando esse momento.

“Se uma mulher não parecer uma deusa durante o parto, então alguém não está tratando-a corretamente.” Ina May Gaskin

Você sabe as diferenças entre parto normal, natural, humanizado e cesárea? Vamos abordar um pouco sobre esses assuntos abaixo.

Parto normal

É o parto que ocorre por via baixa, ou seja, o nascimento do bebê ocorre pelo canal vaginal. 

Parto natural

O nascimento do bebê ocorre através do canal vaginal sem necessidade de nenhum tipo de intervenção.

Parto humanizado

É uma forma de assistência baseada em evidências científicas, que busca readequar o processo do parto sob um aspecto multiprofissional, promovendo uma assistência tanto para a mulher quanto para o bebê mais humana e segura por meio de acolhimento, empatia e diálogo, considerando ambos, mulher e bebê, como protagonistas do processo. 

Cesárea

É uma cirurgia de médio a grande porte realizada para promover o nascimento do bebê e que salva vidas quando bem indicada. 

O ideal seria que a cesárea fosse indicada somente em situações em que o parto normal não pode ocorrer. Segundo a Organização Mundial de Saúde, a taxa ideal de cesárea seria entre 10 e 15%. Falaremos em momento oportuno sobre indicações de cesárea.

Acompanhamento puerpério

O puerpério é um momento que requer toda a atenção voltada para aquela mulher que agora é mãe e tem seu olhar voltado para o bebê. É tempo de cuidar de quem cuida. 

É papel do obstetra analisar não só aspectos físicos e emocionais, mas também indagar sobre rede de apoio e orientar na construção de uma, caso não possua. Engloba também cuidados, orientações e apoio em relação a amamentação. 

Amamentação

Muitas dúvidas e desafios surgem quando o assunto é amamentação. O obstetra precisa estar apto a auxiliar a mulher e encorajá-la a amamentar.

O aleitamento materno oferece inúmeros benefícios tanto para mãe quanto para seu bebê e é recomendado pela Organização Mundial de Saúde que ocorra pelo menos até os dois anos de vida da criança, sendo exclusivo nos primeiros seis meses.

Cuidados com as mamas durante a gestação

Não há recomendações para o preparo das mamas durante a gestação pois o próprio organismo já se encarrega de prepará-las para a chegada do bebê. As recomendações são em relação ao que não se deve fazer: 

  • não utilizar nenhum produto (óleo, pomada ou creme) na região da aréola e mamilo;
  • não friccionar produtos ásperos;
  • não utilizar conchas ou outros acessórios com intenção de preparar o mamilo.

Caso existam dúvidas ou dificuldades em relação a amamentação, seu obstetra poderá encaminhá-la também ao mastologista, médico especialista em saúde mamária.  Leia sobre a Mastologia clicando aqui!